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III ENCONTRO DE MEMÓRIAS E HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL
“Patrimônio, Currículos e Processos Formativos”

11 a 12 de Setembro de 2012
Parque da Juventude
São Paulo/SP

Eixos Temáticos

 

:: EIXO TEMÁTICO 1 Instituições escolares técnicas e tecnológicas: patrimônio material e imaterial, educação patrimonial e memória.

:: EIXO TEMÁTICO 2 Instituições escolares técnicas e tecnológicas: memórias e desenvolvimento local.

:: EIXO TEMÁTICO 3 Cultura Escolar e História Oral na Educação Técnica e Tecnológica: memórias e identidades.

:: EIXO TEMÁTICO 4 Currículos, Memória e Formação de Profissionais Técnicos e Tecnológicos.

:: EIXO TEMÁTICO 5Políticas Públicas: Memórias e História na Educação Profissional e Tecnológica.

 

 


EIXO TEMÁTICO 1 Instituições escolares técnicas e tecnológicas: patrimônio material e imaterial, educação patrimonial e memória.

Neste eixo temático os autores apresentarão trabalhos sobre a importância da preservação e conservação do patrimônio industrial material e imaterial, nas instituições escolares de educação profissional para estudos e pesquisas cultural, histórica e tecnológica, que possibilitam uma reflexão sobre as práticas escolares e pedagógicas na educação profissional. Como patrimônio material poderemos considerar o mobiliário, os equipamentos, os materiais didáticos, as vidrarias, as fotografias, os vídeos, os objetos de artes, entre outros materiais escolares empregados em laboratórios ou em salas de aula dos diversos componentes curriculares. Enquanto que o patrimônio imaterial encontra-se nas danças, na culinária, nas memórias sobre estes e outros bens. Os professores, estudantes de pós-graduação e pesquisadores, que realizam pesquisas em arquivos escolares, poderão demonstrar a relação entre os cursos profissionalizantes oferecidos nas unidades escolares, ao longo do tempo e em diferentes espaços, com o desenvolvimento tecnológico do nosso país. Segundo Fratini (2009):
No Brasil a educação patrimonial começou a ser discutida na década de 1980 [...] Embora muitos espaços tenham sido alcançados nos diferentes segmentos do patrimônio que trabalham com essa prática, ainda há muito a ser desenvolvido. A área carece de estudos e a literatura nacional sobre o assunto pode ser ainda muito ampliada por professores, com produções no âmbito da educação; e no âmbito patrimonial, por especialistas nas diversas áreas que tangem o patrimônio histórico-cultural. O número de projetos e experiências com educação patrimonial, conforme consta, é ainda pouco expressivo, principalmente quando se trata de uma área específica, como a área de arquivos.
Para Benito Escolano (2010) a nova história cultural, por meio da etnografia e da microhistória, vêm configurando um novo campo historiográfico que são os estudos das materialidades da escola. Este encontro de profissionais de diferentes áreas do conhecimento propiciará discutir as interfaces entre a ciência e a técnica para a preservação da memória e o aprimoramento da educação patrimonial profissional e tecnológica.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ARGOLO. André. Arquitetura do Café. Imprensa Oficial: São Paulo, 2004.

BENITO, AGUSTÍN ESCOLANO. Patrimonio Material de la escula e historia cultural. Revista Linhas. Revista do Programa de Pós-graduação em Educação. Disponível em:
http://www.revistas.udesc.br/index.php/linhas/article/view/2125. Acesso em 17.01.2012.

FRATINI, Renata. Educação patrimonial em arquivos. HISTÓRICA – Revista eletrônica do Arquivo do Estado, nº 34, jan, 2009. Disponível em: http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materas/anteriores/edicao.... Acesso em: 12 ago. 2011.


EIXO TEMÁTICO 2 Instituições escolares técnicas e tecnológicas: memórias e desenvolvimento local.

Para este eixo temático espera-se receber trabalhos que demonstrem a importância da instituição escolar no município onde está instalada para a promoção do desenvolvimento local, considerando as relações construídas social, cultural, histórica, e que fomentaram o trabalho a partir do patrimônio e da educação profissional e tecnológica. Oliveira (2010) informa que estudos e pesquisas no exterior sobre o patrimônio industrial consideraram a história do trabalho e a história oral. Enquanto que, no Brasil, nos anos 80, as discussões sobre o patrimônio industrial se fizeram a partir de uma história da técnica, em um quadro histórico socioeconômico regional. Este autor considera que a discussão conceitual sobre patrimônio industrial ainda é pontual e precisa ser ampliada, e informa que a valoração do patrimônio ferroviário tem contribuído para expandir o conceito de patrimônio, incluindo o patrimônio ambiental urbano. Como é o caso das edificações ferroviárias reconhecidas como vestígios materiais da cafeicultura em São Paulo. Neste eixo temático professores, estudantes de pós-graduação e pesquisadores deverão problematizar para identificar as relações existentes entre a memória, a escola, a cidade, e as práticas escolares e pedagógicas, que professores empregaram com seus alunos para o exercício da cidadania em projetos com a comunidade local. Os Centros de Memória da Escola, com seus arquivos escolares são lugares da memória e da história. Segundo Benito Escolano (2010) estes dispõe de:
                           

 

[...] objetos da educação formal, e suas representações iconográficas, que se constituem em bens e valores identitários comuns na estimativa que rege a vida social e a cultura de segmentos importantes da sociedade, a cultura material, junto também com a imaterial, alcança um notório interesse público, e se constitui por tanto em objetivo central para as estratégias de recuperação e exibição de um patrimônio que têm que preservar, estudar e difundir.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BENITO, AGUSTÍN ESCOLANO. Patrimonio Material de la escula e historia cultural. Revista Linhas. Revista do Programa de Pós-graduação em Educação. Disponível em:
http://www.revistas.udesc.br/index.php/linhas/article/view/2125
Acesso em 17.01.2012.

CARVALHO, Diego Francisco de Carvalho. Café, ferrovias e crescimento populacional: o florescimento da região noroeste paulista. Histórica Revista Eletrônica do Arquivo do Estado, edição n° 27, Nov. 2007. Disponível em: http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materiais/anteriores/edição.htm . Acesso em: 12/08/2011

LIMA, Cacilda Comássio. Educação para o trabalho: a Escola Profissional de Franca (1924 – 1970). Tese de doutorado na Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” da Faculdade de História, Direito e Serviço Social, campus Franca, 2007. Disponível em:
http://www.franca.unesp.br/poshistoria/CACILDA%20LIMA.pdf. Acesso em: 23.09.2011.

MENEZES, Maria Cristina. SILVA. Eva Cristina Leite de. TEIXEIRA JUNIOR. Oscar. O arquivo escolar: lugar da memória, lugar da história. Revista Horizontes, n.1, p. 67-76, jan./jun. 2005. Disponível em: http://www.usf.edu.br/itatiba/mestrado/educacao/Free/Component1896content1023.shtml. Acesso em 18.01.2012.

MORAES, C S V e ALVES, J F. Inventário de Fontes Documentais. Contribuição à Pesquisa do Ensino Técnico no Estado de São Paulo. Centro Paula Souza. São Paulo. Imprensa Oficial. 2002.

OLIVEIRA, Eduardo Romero. Patrimônio Ferroviário do Estado de São Paulo: as condições de preservação e uso de bens culturais. Revista Projeto História, São Paulo, São Paulo, n° 40, junho, 2010. Disponível em: http://www.revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/download/6129/4451. Acesso em 17.01.2011.


EIXO TEMÁTICO 3 Cultura Escolar e História Oral na Educação Técnica e Tecnológica: memórias e identidades.

Este eixo temático tem por finalidade discutir conceitos e pressupostos metodológicos da cultura escolar e da história oral para a elaboração e construção de projetos de estudos e pesquisas nas unidades escolares, realizados por professores ou estudantes sob a orientação de professores da educação profissional e tecnológica. A história oral empregada como metodologia em um projeto específico permite, no tempo presente, compreender as práticas escolares e pedagógicas que professores, em diferentes épocas, desenvolveram com os seus alunos nos componentes curriculares de diversos cursos técnicos e tecnológicos. Espera-se contar com a participação de professores, estudantes de pós-graduação e pesquisadores da educação profissional e tecnológica que utilizam nas suas práticas a história oral e, que a partir desta metodologia, identificam os caminhos percorridos por professores que passaram pela instituição, compreendendo as suas trajetórias profissionais durante as práticas escolares e pedagógicas. Quando o entrevistado necessita de estimulo para prosseguir a entrevista, o pesquisador deve dispor de outros tipos de fontes (livros, fotografias, peças museológicas, entre outros) e incluir na sua análise a categoria de investigação a cultura escolar. Segundo Julia (2001) a cultura escolar é:
                                                                               

[...] um conjunto de normas que definem conhecimentos a ensinar e condutas a inculcar, e um conjunto de práticas que permitem a transmissão desses conhecimentos e a incorporação desses comportamentos, normas e práticas coordenadas a finalidades que podem variar segundo as épocas (finalidades religiosas, sociopolíticas ou simplesmente de socialização). Normas e práticas não podem ser analisadas sem se levar em conta o corpo profissional dos agentes que são chamados a obedecer essas ordens e, portanto, a utilizar dispositivos pedagógicos encarregados de facilitar sua aplicação, a saber, os professores primários e os demais professores [...]

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

JULIA, Dominique A cultura escolar como objeto histórico. Revista Brasileira de História da Educação, 2001. n. 1, p. 10.

MEIHY, José Carlos Sebe Bom. HOLANDA, Fabíola. História oral: como fazer, como pensar. 1ª Ed. São Paulo: Contexto: 2007.

MORAES, C S V e ALVES, J.F. Escolas Profissionais Públicas no Estado de São Paulo: Uma História em Imagens. Álbum Fotográfico. Centro Paula Souza. São Paulo. Imprensa Oficial. 2002.

PATAI. Daphne. História Oral, Feminismo e Política. 1ª Ed. São Paulo: Letra e Voz. 2010.

RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. 1ª Ed. Editora Unicamp. 2010.


EIXO TEMÁTICO 4 Currículos, Memória e Formação de Profissionais Técnicos e Tecnológicos.

Neste eixo temático a finalidade é apresentar estudos e pesquisas sobre a história e o desenvolvimento de currículos para a formação de profissionais técnicos e tecnológicos, incluindo a formação de professores para a educação profissional. Os trabalhos apresentados devem: analisar, sistematizar, criticar e propor práticas escolares e pedagógicas, objetivando dialogar com as mudanças curriculares ocorridas ao longo do tempo (ARAUJO, 2001; CARVALHO, 2011). Neste eixo temático a formação de professores pode ser identificada por suas trajetórias profissionais e sociais empregando como metodologia a história oral de vida e a cultura escolar, que possibilitam pelas suas lembranças reconhecer imagens e lugares, assim como as práticas escolares e pedagógicas no cotidiano da escola. Os trabalhos devem trazer para o debate os limites e as potencialidades dos diferentes formatos de educação profissional: modular, integrado e à distância. Para a historicidade de currículo pode-se dialogar sobre o que diz Araújo (2004):

[...] a educação técnica e tecnológica deve garantir a aquisição dos princípios científicos subjacentes a cada tecnologia aplicada nos diferentes processos produtivos, o uso e a introdução das inovações tecnológicas na gestão da produção de bens e serviços e a compreensão das relações sociais no campo do trabalho e na sociedade. Nessa perspectiva, torna-se imperativa uma fina sintonia da educação profissional com o mundo do trabalho, não só para a atualização de conteúdos mas, principalmente, para a detecção de problemas nos processos produtivos e no planejamento de soluções, ponto central na construção da capacidade empreendedora do profissional. As Escolas Técnicas não podem se restringir ao ensino de disciplinas isoladas entre si e do contexto de aplicação de seus conceitos. Esse modelo de formação não mais atende às expectativas de seus alunos nem às novas formas de trabalho. É necessário conjugar a teoria com a prática e integrar, ao longo do curso, ciência, tecnologia e trabalho (ARAUJO, 2004).

O público que se espera atingir com este eixo temático deve ser formado por professores de educação profissional técnica e tecnológica, pesquisadores e estudantes de pós-graduação interessados na história da educação profissional.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARAUJO. Almério Melquíades. Mudanças curriculares no ensino técnico em São Paulo. Revista Estudos Avançados 15 (42). 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ea/v15n42/v15n42909.pdf. Acesso em: 18.01.2012.

ARAUJO. Almério Melquíades. A Construção e o Desenvolvimento de Currículo em Parceria. VIII Congresso Luso-Brasileiro de Ciências Sociais, em Coimbra/Portugal, setembro, 2005. Disponível em: http://www.ces.uc.pt/lab2004/inscricao/pdfs/painel20/almerioaraujo.pdf . Acesso em: 18.01.2012.

BOSCHETTI, Vânia Regina. O curso ferroviário da Estrada de Ferro Sorocabana. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n.23, p. 46-58, set. 2006. ISSN: 1676-2584. Disponível em: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/revista/edicoes/23/art04_23.pdf. Acesso em: 23.09.2011.

CARVALHO, Maria Lucia Mendes de (org). Cultura, Saberes e Práticas. Memórias e História da Educação Profissional. São Paulo: Imprensa Oficial, 2011.

DELUIZ. Neise. O Modelo das Competências Profissionais no Mundo do Trabalho e na Educação: Implicações para o Currículo. Boletim Técnico do Senac. Disponível em: http://www.senac.br/BTS/273/boltec273b.htm. Acesso em 18.01.2012.

DEMAI, Fernanda Mello. Livro das competências profissionais: a síntese dos 90 cursos técnicos e das 115 qualificações oferecidas pelo Centro Paula Souza. Nº 2. São Paulo: Editora i9, 2009.

LE GOFF, Jacques. História e Memória. 4.ed. Editora Unicamp, Campinas:Unicamp, 1996.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO- MEC. Catálogo Nacional dos Cursos Técnicos. Brasília: MEC, dezembro, 2007. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/setec/arquivos/pdf/documento_base.pdf .
Acesso em: 18.01.2012.

MORAES, Carmen Sylvia Vidigal. A socialização da força de trabalho: instrução popular e qualificação profissional no Estado de São Paulo (1873 – 1934). Bragança Paulista. EDUSF: 2003, 480p.


EIXO TEMÁTICO 5 Políticas Públicas: Memórias e História na Educação Profissional e Tecnológica.

Este eixo temático tem por finalidade identificar como ocorre a apropriação e implantação das políticas educacionais (federal, estadual e municipal) nas instituições escolares técnicas e tecnológicas. As unidades de administração de ensino são geradoras das práticas pedagógicas, que chegam as instituições escolares por meio de seus diretores; estes promovem a circulação dessas práticas, para que os professores possam criar os seus planos de trabalho docente, expondo as práticas escolares para cada componente curricular, em diferentes cursos, técnicos e tecnológicos. Esta autonomia das escolas para elaborar os seus planos plurianuais ou os planos de trabalhos docentes, em função das necessidades regionais, é discutida por Martins (2003), e apresentado como um tema antigo na história da educação paulista. Souza (2006), em relação às políticas de educação a partir da década de 1990, diz que:
  

[...] a atuação do governo federal no âmbito das prescrições curriculares em todos os níveis de ensino que passou a assumir, inclusive, competências que vinham sendo historicamente exercidas no âmbito dos governos estaduais, tais como a produção de materiais de orientação curricular para o ensino fundamental e médio. Dado que a política curricular constitui um aspecto específico da política educacional, sua investigação significa, de certa maneira, uma avaliação dos condicionantes da possibilidade que tem o Estado de provocar/ influenciar mudanças na prática educativa e, como decorrência, promover a qualidade da escola pública. [...] a política curricular envolve também a elaboração de meios – material de orientação e controle – que visam apresentar os sistemas de ensino e aos professores o currículo prescrito, indicando um pouco mais de especificações, as finalidades, os conteúdos e o modo de ensinar (metodologia e avaliação).

                                                                  

Os trabalhos apresentados neste eixo devem buscar identificar como ocorreram as mudanças (referentes à criação e extinção de cursos técnicos e tecnológicos, aos currículos dos cursos), ao longo do tempo, nas instituições escolares. Busca-se nesse eixo problematizar para compreender e elucidar as relações entre a memória e as políticas educacionais no ensino profissional, com o intuito de constatar a sua contribuição no desenvolvimento das políticas curriculares, na compreensão das culturas escolares e das práticas pedagógicas e escolares nas instituições.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARVALHO, Maria Lucia Mendes de (org). Cultura, Saberes e Práticas. Memórias e História da Educação Profissional. São Paulo: Imprensa Oficial, 2011.

LAURINDO. Arnaldo. 1962. 50 anos de ensino profissional. Estado de São Paulo. 1911 – 1961. São Paulo: Editora Gráfica Irmãos Andrioli S.A.

MARTINS. Ângela Maria. A Política Educacional Paulista: controvérias em torno dos conceitos de descentralização e autonomia – 1983 a 1999. Revista de Educ. Soc., Campinas, vol. 24, n.83, p.527-549, agosto, 2003. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/es/v24n83/a12v2483.pdf.
Acesso em: 28.07.2009.

NASCIMENTO. Osvaldo Vieira. 2007. Cem anos de Ensino Profissional no Brasil. Curitiba: Editora IBPEX - Gráfica Capital.

SOUZA. Rosa Fátima de. Política curricular no estado de São Paulo nos anos 1980 e 1990. Cadernos de pesquisa, v.36, n.127, p. 203-221, jan./abr. 2006. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cp/v36n127/a0936127/a0936127.pdf.
Acesso em: 05.01.2010.

 

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